3º FÓRUM HIS – HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

outubro 6, 2010

Entre os dias 15 e 18 de Setembro realizou-se em Belo Horizonte a 7ª edição do MINASCON 2010, evento realizado pela FIEMG, que reuniu diversos agentes do setor da construção civil. Dentro da programação do evento ocorreu o 3º Fórum HIS-Habitação de Interesse Social, com organização do IAB-MG. Nossa equipe foi convidada a se apresentar neste evento técnico para debater os caminhos da habitação social no Brasil.

Além da Horizontes Arquitetura, diversos profissionais de destaque na área da habitação social apresentaram seus trabalhos, entre eles os arquitetos Pedro da Luz, Pablo Benetti, Demetre Anastassakis, os escritórios ArquiTraço e Chic da Silva e o presidente do IAB Nacional Arq. Gilson Paranhos.

A equipe da Horizontes, representada pelo arquiteto Marcelo Palhares, apresentou 6 projetos de interesse social, com destaque para conjuntos habitacionais e intervenções em vilas e favelas.  A apresentação ressaltou a importância dos processos participativos na fase de projeto, da flexibilidade de plantas e usos, a inserção do comércio como forma de geração de renda e, principalmente, da importância da criação de praças de uso público e  áreas verdes integradas com as unidades residenciais e ao longo das ruas e becos.

O debate se concentrou na necessidade de mudança dos paradigmas e dos modelos de atuação do poder público e dos órgãos financiadores, com intuito de elevar os parâmetros arquitetônicos exigidos para a habitação de interesse social.

No balanço final, os arquitetos presentes foram unanimes em defender a importância da contratação de projetos de qualidade pelos órgãos públicos como passo fundamental para alcançar os resultados esperados na melhoria da condição de vida da população carente.

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CONCURSO CAIXA-IAB 2006 –

junho 29, 2010

Em 2006 recebemos Menção Honrosa no “Concurso Público Nacional de Idéias e Soluções para Habitação Social no Brasil – Prêmio Caixa/Iab 2006”. O projeto foi inscrito na categoria “Lotes Urbanos de pequeno porte, propiciando tipologias multifamiliares de densidade média, sem utilização de elevadores”. O objetivo do concurso foi buscar idéias e soluções inovadoras para o problema do déficit habitacional brasileiro, principalmente para a população com faixa de renda familiar de até cinco salários mínimos.

MEMORIAL DESCRITIVO

O LUGAR. Palmas, capital de Tocantins, localiza-se no centro do Estado, à margem direita do Rio Tocantins, cercada pelas serras do Carmo e do Lajeado. Totalmente planejada com dese­nho urbano moderno, a cidade apresenta uma ocupação extremamente horizontal e ainda pouco adensada. A malha urbana é formada por largas avenidas delimitando superquadras, subdivididas por ruas perimetrais e alamedas que conformam quarteirões menores. Em cada superquadra coexistem zonas residenciais, comerciais, setores de equipamentos públicos, áreas de estacionamento e áreas verdes.

O terreno em questão, com área de 3384m², é bastante peculiar. Localizado no miolo de um quarteirão, é contornado por lotes residenciais uni-familiares, com ocupação praticamente de­finitiva, de padrão médio e altimetria média de 2 pavimentos.

A acessibilidade ao terreno é facilitada para automóveis através das grandes avenidas e ruas lindeiras à super-quadra e pelo transporte público. Devido ao relevo bastante suave da cidade, as principais formas de transporte em Palmas são motos e bicicletas, essa a mais viável, principalmente para as comunidades mais pobres. Já existem ciclovias implantadas e outras com previsão de implantação, inclusive na super-quadra onde se encontra o terreno. A entrada do terreno é feita por um lote perpendicular, que funciona como rua de acesso particular. A região do terreno conta com toda infra-estrutura básica (água, esgoto, energia, coleta de lixo) além de equipamentos públicos e comerciais (posto de saúde, posto policial, creche, super­mercado, comércio básico e escola).

A OCUPAÇÃO. O plano diretor de Palmas encontra-se em fase de revisão com participação popular e incentiva o adensamento maior nas áreas já parceladas, evitando a ampliação da ocupação urbana do território e o surgimento de periferias desorganizadas. Acompanhando essas diretrizes de ocupação, surge a proposta de um edifício com perfil volumétrico de alturas variáveis, equilíbrio entre a paisagem e a função social da terra, com adensamento ao mesmo tempo alto e criterioso, permitindo a liberação de áreas livres comunitárias no nível do solo e no topo do prédio.


A variação de volumes cria interseções e vazios, em pilotis, terraços, passarelas e escadas abertas que, além da diminuição da massa do edifício, privilegiam o espaço público, proporcionam visadas para a paisagem e ampliam a circulação do ar e o controle da insolação.

O EDIFÍCIO. O edifício, resolvido em 3 blocos (3 eixos), abriga 58 apartamentos, conectados por 5 escadas e 6 passarelas, e conforma um amplo pátio central, vazado no pilotis no eixo de acesso e aberto na extremidade para a área arborizada existente. O pátio, protegido em seu uso pela visibilidade garantida pelas janelas de todos os apartamentos que ali se abrem, é também espaço de estacionamento arborizado.

O terraço coletivo, acessado pelas escadas e passarelas dos diversos blocos, suaviza a altura do edifício e se abre em direção à vista do rio. As extremidades dos blocos são resolvidas em apartamentos duplex, otimizando o aproveitamento das dimensões do terreno.

AS UNIDADES. O programa arquitetônico é o mesmo em todas as unidades: 2 quartos, banheiro, sala, cozinha e área de serviço. As dimensões e o arranjo espacial, no entanto, buscam atender modos de morar variados, permitindo flexibilidade de uso e modificações futuras. A cozinha é integrada à sala, ampliando o espaço e economizando alvenaria, mas podendo ser fechada futuramente, dependendo do desejo de cada morador. A área de serviços, normalmente sub-valorizada em projetos habitacionais, foi redimensionada, funcionando como extensão da cozinha e também como varanda, podendo se articular à sala. A possibilidade de ser usada como espaço para atividades de geração de renda é, assim, ampliada.

CLIENTE: Caixa / IAB

LOCAL: Palmas, TO

DATA: 2006

AUTORES: Horizontes Arquitetura e Urbanismo (Gabriel Velloso da Rocha Pereira, Luiz Felipe de Farias e Marcelo Palhares Santiago), Maria Elisa Baptista e Matheus M. F. de Melo

COLABORADORES: Carlos Gomez, Thiago Vieira e Rafaela Ferreira


San Isidro

março 1, 2010

Em 2007, participamos de um concurso internacional para projetar um edifício de Lofts de Luxo, em Lima, Peru.

modelo conceitual

Descrição

O projeto foi desenvolvido com a ideia de mutação como o principal parâmetro de projeto. Tentamos incorporar flexibilidade em todos os aspectos dos apartamentos pois entendemos a vida contemporânea como um exercício de constante mudança, constante transformação.

Com isso em mente, desenvolvemos vários elementos do projeto como entidades mutantes. A fachada está em constante mutação em resposta às transformações internas e externas. Os moradores podem, por exemplo, alterar a posição do quarto, da escada e até mesmo da cozinha com relativa facilidade.

Para isso, cozinha e banheiro foram concebidos como módulos que podem ser colocados em qualquer parte do apartamento. Estes módulos não são projetados para suportar movimentos frequentes, mas seria uma alteração fácil, no momento da compra ou numa reforma futura.

Os painéis de fachada feitos de painéis em PVC são movidos por controle remoto, funcionando como dispositivos de sombreamento e barreiras acústicas. O quarto/varanda também é operado mecanicamente por controle remoto. Eventualmente, metade do quarto fica para fora do prédio, permitindo vistas diretas da pirâmide, do céu e da cidade.

A fim de atingir diferentes níveis de privacidade utilizamos várias camadas de vidro, com diferentes graus de transparência, desde o mais transparente no perímetro exterior para o mais opaco no prisma de luz interior . Este “prisma de vidro” atravessa todo o edifício, iluminando e ventilando, desde os corredores, os pilotis, até as áreas mais profundas dos apartamentos.

Ao nível do solo, o pilotis foi rebaixado 110 centímetros abaixo do nível da rua para permitir a integração visual e permeabilidade sem torná-lo muito exposto ao público rua.
No terraço, sugerimos um anel de vegetação de bambu para proporcionar ambiência e privacidade, sobreposta por uma plataforma que permite visão perfeita da pirâmide. A partir da piscina e por baixo do deck pode-se ver a pirâmide, filtrada através dos bambus.

CLIENTE: Arquitectum

LOCAL: Lima, Peru

DATA: 2007

AUTORES: Horizontes Arquitetura e Urbanismo (Gabriel Velloso da Rocha Pereira, Luiz Felipe de Farias e Marcelo Palhares Santiago), Fernando Luiz Lara e Matheus M. F. de Melo


CONJUNTO SANTA ROSA 2

novembro 4, 2009

Holcim Awards  é uma premiação com objetivo  de reconhecer projetos inovadores, sustentáveis e com visão de futuro. Horizontes participou da premiação em 2008 com o projeto de habitação social Conjunto Santa Rosa 2.

Texto: Horizontes Arquitetura e Maria Elisa Baptista,

Projeto: Horizontes Arquitetura, Natália Batista Botelho e Matheus Melo.

O principal aspecto do projeto é a participação, desde a concepção, dos futuros moradores. Para enfrentar o enorme desafio do déficit habitacional brasileiro (80% dos 185 milhões de habitantes vivem nas cidades; trinta milhões moram em condições de extrema pobreza e precariedade; a população cresce duas vezes mais rápido que a capacidade de produção de habitações populares) é preciso garantir o direito à cidade e o acesso aos serviços urbanos públicos, criar condições de vida saudáveis e dignas e reverter as condições de exclusão e miséria.BIENAL 2005-IMG-CAMERA05-01 copyBIENAL 2005-IMG-CAMERA03 copy

O projeto alia a produção de habitação à geração de trabalho e renda e à organização popular, qualificando a participação dos usuários em todo o processo de decisão e produção. Foram estabelecidas instâncias de decisão colegiada, paralelas a oficinas de capacitação e entendimento das variáveis de projeto, orçamento e execução (possibilidades e limitações do terreno; exigências técnicas, financeiras e legais; desejos e demandas da comunidade).

São cinqüenta famílias, inscritas no Orçamento Participativo da Habitação da Prefeitura de Belo Horizonte (garantindo acesso a terra urbanizada e à assessoria profissional de arquitetos, engenheiros, advogados e técnicos sociais) e selecionadas pelo Programa de Crédito Solidário do Governo Federal (acessando financiamento viável para execução das obras).

O programa arquitetônico é semelhante em todas as unidades, mas as dimensões e o arranjo espacial atendem a modos de morar variados, permitindo flexibilidade de uso e modificações futuras. A área de serviços funciona como extensão da cozinha e também como varanda, podendo se articular à sala, além de ser usada como espaço para atividades de geração de renda. A cozinha, integrada à sala, amplia o espaço, podendo ser fechada conforme o desejo de cada morador. Os apartamentos térreos compensam sua menor privacidade com o ganho dos quintais privativos ao longo das divisas; os apartamentos superiores utilizam a cobertura como terraço privativo, substituindo o quintal; e os andares intermediários ganham quartos estendidos. A disposição dos blocos e as escadas abertas propiciam segurança e vitalidade nos espaços de convívio.

A opção pelo sistema construtivo em alvenaria estrutural considera seu alto padrão tecnológico e padronização, fatores de racionalização construtiva e redução de desperdício, além de ser um elemento de grande alcance pedagógico no aprendizado de técnicas construtivas. A solução formal traduz padrões culturais típicos das cidades brasileiras, em escala adequada à manutenção da qualidade urbana.

BIENAL 2005-IMG-CAMERA04-01 copy-2O projeto, resultado do entrosamento entre prefeitura, comunidade e técnicos, demonstra a viabilidade de se alcançar qualidade arquitetônica com baixo orçamento, aliando participação popular, tecnologia construtiva e soluções espaciais inovadoras.

1 – Inovação e capacidade de transferência

O processo de projeto e execução participativo divulga eficientes soluções técnico-construtivas de baixo custo e um sistema multiplicável de soluções articuláveis, combináveis e intercambiáveis, além de popularizar formas de expressão e representação arquitetônicas acessíveis aos leigos. O sistema construtivo adotado alia a maneira tradicional de construir da região, em tijolos cerâmicos, à inovação dos blocos e lajes em concreto pré-moldado, modulados e articulados em componentes que evitam desperdício, racionalizam a obra e não exigem equipamentos pesados. A capacidade multiplicadora do projeto reside na identificação da qualidade arquitetônica e urbana com o envolvimento dos moradores e a assessoria técnica multidisciplinar.

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2 – Padrões éticos e equidade social

O resultado imediato do projeto é a produção da habitação em sistema de autogestão, a partir da capacitação de usuários e técnicos e do uso de novos programas de financiamento público, com o fortalecimento das associações comunitárias. As dinâmicas interativas objetivam a inclusão digital e o exercício da cidadania, exigindo resposta dos setores técnicos e públicos. O empreendimento, executado em regime de mutirão, com treinamento remunerado dos moradores, atua também como capacitação profissional, gerando, no médio prazo, melhoria das condições de vida da população atendida e inserção no mercado de trabalho através dos ofícios aprendidos. O planejamento compartilhado amplia a o envolvimento coletivo com as condições de salubridade, segurança, durabilidade e legalidade da habitação.

BIENAL 2005-DINAMICA PLANTA-FOTOS LATERAL copyBIENAL 2005-DINAMICA BLOCOS-FOTOS LATERAL copy 3 – Uso eficiente de recursos naturais e conservação de energia

A implantação de pequenos conjuntos em vazios urbanos centrais aproveita infra-estrutura instalada e reduz deslocamentos da população. A racionalidade construtiva reduz o impacto ambiental e a modulação estrutural e tecnologias padronizadas aumentam a performance dos materiais e evitam desperdício. Ambientes com ventilação cruzada, varandas e terraços sombreados e quintais verdes contribuem para diminuir acúmulo de calor e melhorar o micro clima.

4 – Desempenho econômico e compatibilidade

Soluções criativas de projeto, modulação e padronização de componentes viabilizam dentro do pequeno orçamento disponível espaços de qualidade arquitetônica e urbana, e reduzem os custos de execução e manutenção. As instalações técnicas em painéis externos simplificam os procedimentos de verificação e manutenção, reduzindo conflitos condominiais.

5 – Impacto estético e adequação ao contexto

A solução formal, alcançando densidades compatíveis com o custo da terra, gera volumes elegantes integrados à paisagem urbana. Suas varandas, terraços, passarelas e escadas abertas privilegiam o espaço público, aumentam a permeabilidade e intensificam as relações sociais, com alta qualidade estética.