REGIONAL vs GLOBAL

novembro 5, 2010

Os projetos de intervenção nas favelas ‘Aglomerado da Serra’, ‘Morro das Pedras’ e ‘Pedreira Prado Lopes’, desenvolvidos pela Horizontes através do programa ‘Vila Viva’, foram publicados no livro “Regional Vs Global – 20th Architectural Exhibition of Daejeon”.

A publicação foi organizada pelo KIA (Korean Intitute of Architecture) e apresenta uma seleção de trabalhos de arquitetos internacionais, com destaque para os arquitetos brasileiros e a inovadora atuação na área de habitação social e intervenção em favelas.

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“Building for the Favelas : news from Brazil”

março 15, 2010

O site americano e-architects publicou uma matéria sobre a parceria entre Horizontes Arquitetura e o Arquiteto Fernando Lara (PhD, University of Texas, Austin). O texto de autoria de Fernando Lara, entitulado “Building for the Favelas : news from Brazil“, faz uma breve apresentação do programa de reurbanização de favelas da Prefeitura de Belo Horizonte (Vila Viva) e apresenta as estratégias de projetos utilizadas pela equipe.

“(…) Horizontes, a young trio in Belo Horizonte, have already accumulated significant experience with participatory processes in their first decade in practice. Now working in partnership with Fernando Lara (a professor with large international experience) they have been able to articulate a new approach to public spaces in the reminiscent areas between the new roads and the favela remaining buildings.

In Campo do Cascalho, and Pedreira Prado Lopes the design strategy has been to locate active programs (around sports) that foster collective appropriation and discourage “privatization” by any group or individual. At the same time the spaces have to be “defensible” with as much visibility as possible to contribute to the sense of security. Another preoccupation regards soil permeability. Being extremely dense (up to 300 people/ha) the favelas are also very much impermeable and that creates enormous problems during the rainy season when 100mm of rainfall per day is a weekly occurrence.

The design solution specifies traditional materials used in new ways to increase permeability in inclined platforms that foster active uses and discourage further illegal construction (flat surfaces are much easier to be quickly taken and incorporated to existing buildings).  (…)”

Para ler o texto completo acesse o site e-architects clicando aqui.


San Isidro

março 1, 2010

Em 2007, participamos de um concurso internacional para projetar um edifício de Lofts de Luxo, em Lima, Peru.

modelo conceitual

Descrição

O projeto foi desenvolvido com a ideia de mutação como o principal parâmetro de projeto. Tentamos incorporar flexibilidade em todos os aspectos dos apartamentos pois entendemos a vida contemporânea como um exercício de constante mudança, constante transformação.

Com isso em mente, desenvolvemos vários elementos do projeto como entidades mutantes. A fachada está em constante mutação em resposta às transformações internas e externas. Os moradores podem, por exemplo, alterar a posição do quarto, da escada e até mesmo da cozinha com relativa facilidade.

Para isso, cozinha e banheiro foram concebidos como módulos que podem ser colocados em qualquer parte do apartamento. Estes módulos não são projetados para suportar movimentos frequentes, mas seria uma alteração fácil, no momento da compra ou numa reforma futura.

Os painéis de fachada feitos de painéis em PVC são movidos por controle remoto, funcionando como dispositivos de sombreamento e barreiras acústicas. O quarto/varanda também é operado mecanicamente por controle remoto. Eventualmente, metade do quarto fica para fora do prédio, permitindo vistas diretas da pirâmide, do céu e da cidade.

A fim de atingir diferentes níveis de privacidade utilizamos várias camadas de vidro, com diferentes graus de transparência, desde o mais transparente no perímetro exterior para o mais opaco no prisma de luz interior . Este “prisma de vidro” atravessa todo o edifício, iluminando e ventilando, desde os corredores, os pilotis, até as áreas mais profundas dos apartamentos.

Ao nível do solo, o pilotis foi rebaixado 110 centímetros abaixo do nível da rua para permitir a integração visual e permeabilidade sem torná-lo muito exposto ao público rua.
No terraço, sugerimos um anel de vegetação de bambu para proporcionar ambiência e privacidade, sobreposta por uma plataforma que permite visão perfeita da pirâmide. A partir da piscina e por baixo do deck pode-se ver a pirâmide, filtrada através dos bambus.

CLIENTE: Arquitectum

LOCAL: Lima, Peru

DATA: 2007

AUTORES: Horizontes Arquitetura e Urbanismo (Gabriel Velloso da Rocha Pereira, Luiz Felipe de Farias e Marcelo Palhares Santiago), Fernando Luiz Lara e Matheus M. F. de Melo


Daejeon Biennial – Arquitetura Mineira na Coréia

novembro 11, 2009

Projetos apresentados na 20ª Bienal de Daejeon, Coréia do sul.

INTERVENÇÕES EM VILAS E FAVELAS – VILA VIVA

O Brasil apresenta um enorme desafio no déficit habitacional pois 80% dos 185 milhões de habitantes vivem nas cidades, sendo trinta milhões em condições de extrema pobreza e precariedade. Em Belo Horizonte 600 mil pessoas, 25% da população, vivem nas 142 favelas da cidade. Para enfrentar este problema é preciso ações que garantam o direito à cidade e o acesso aos serviços urbanos públicos, criando condições de vida saudáveis e dignas e revertendo as condições de exclusão e miséria.

Desde 2000 a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte promove um processo de urbanização das favelas chamado “Vila Viva”. O programa consiste em ações de urbanização, saneamento, remoção de famílias de áreas de risco, reestruturação do sistema viário, implantação de parques e equipamentos públicos (centros de saúde, centros comunitários, escolas, etc), além de ações de educação e criação de alternativas de geração de trabalho e renda.

As obras de remoção de famílias de áreas de risco e implantação das ruas provocam remoção de várias residências. As famílias desalojadas recebem indenização ou são re-instaladas em conjuntos habitacionais. Surgem, com isso, diversos espaços remanescentes conformados pelos limites das vias e das casas que permanecem. Neste contexto, a atuação da Horizontes consiste no tratamento e qualificação destas áreas, transformando-as em espaços de uso público.

Experiências anteriores demonstram que espaços em favelas direcionadas para descanso e contemplação acabam sendo dominados por traficantes. A solução encontrada é criar espaços públicos adaptados para o laser ativo e esportes, e adoção do conceito de ‘espaços defensáveis’, onde a visibilidade total contribui para a sensação de segurança. Estas medidas contribuem para apropriação dos espaços pela comunidade que é fundamental para a preservação do lugar pois, do contrário, o espaço acabaria sendo ocupado por moradias irregulares.

Como estratégia de projeto a equipe desenvolveu um conjunto ajustável de soluções que podem ser aplicadas em diversas situações. Os pisos são desenhados com vários tipos de pavimento, permeáveis e semi-permeáveis, buscando aumentar a absorção natural da água, essencial em uma cidade afetada por graves problemas de inundação. Nas áreas permeáveis utiliza-se vegetação nativa e árvores de alto porte que criam sombreamento, contribuindo para melhoria do micro-clima e da ambiência urbana.

Os mobiliários urbanos levam em conta a apropriação por usos não convencionais. Os detalhes são em materiais de alta resistência e com menor número possível de elementos para evitar vandalismo. Pórticos de concreto cobertos por plantas servem de gol para futebol e cesta de basquete. Muros de contenção funcionam como paredes de escalada e suporte para arte do grafite e manifestação da cultura ‘hip-hop’.

A topografia é modelada para conformar e organizar os espaços através de superfícies planas e inclinadas, gerando pátios e taludes que podem funcionar como bancos, arquibancadas, rampas de skate, escorregadores infantis, arenas para roda de capoeira, anfiteatros etc.

O desafio que enfrentamos é influir positivamente na realidade violenta das favelas. Espera-se que cada metro quadrado revertido em área pública vegetada possa fazer diferença nos problemas das enchentes urbanas e, principalmente, na vida das crianças ainda invisíveis atrás dos muros, antes que eles saiam para a visibilidade sem volta das ruas. A estratégia de atuação desenvolvida pela Horizontes e seus parceiros contribuiu para elevar o atual discurso sobre as obras públicas, por desafiar as formas tradicionais de construção com uma abordagem rigorosa, embora experimental.

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Vila Conceição, Aglomerado da Serra | Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil | Equipe: Horizontes Arquitetura e Matheus Melo | Colaborador: Nina da Silva | Contratante: Consórcio Camargo Corrêa e Construtora Santa Barbara | Gerente do contrato: Ana Cristina S. A. Alvarenga | Cliente: Urbel (Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte)

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Pedreira Prado Lopes | Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil | Equipe: Horizontes Arquitetura e Fernando Lara | Colaborador: Raoni Sena Ferraz | Contratante: Construtora Mello Azevedo | Gerente do contrato: Cláudio Menim de Oliveira Santos | Cliente: Urbel (Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte)

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Campo do Cascalho | Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil | Equipe: Horizontes Arquitetura e Matheus Melo | Colaboradores: Mateus Castilho e Fábio Oliveira | Contratante: HAP engenharia | Gerente do contrato: Rosely Caldeira | Cliente: Urbel (Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte)

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Daejeon Biennial – Arquitetura Mineira na Coréia

novembro 10, 2009

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No período de 06 a 15 de novembro em Dajeon, Coréia do Sul, esta ocorrendo a “20th Architectural Exhibition of Daejeon” com organização da Universidade de Daejon e do Institudo de Arquitetos da Coréia do Sul. Como parte do evento haverá uma exposição mostrando 9 escritórios que representam a novíssima arquitetura mineira. A curadoria da exposição brasileira é dos arquitetos Fernando Lara e Carlos Teixeira.

Horizontes foi convidada para exibir três projetos de intervenção em vilas e favelas (Aglomerado da Serra, Morro das Pedras e Pedreira Prado Lopes).


CONJUNTO SANTA ROSA 2

novembro 4, 2009

Holcim Awards  é uma premiação com objetivo  de reconhecer projetos inovadores, sustentáveis e com visão de futuro. Horizontes participou da premiação em 2008 com o projeto de habitação social Conjunto Santa Rosa 2.

Texto: Horizontes Arquitetura e Maria Elisa Baptista,

Projeto: Horizontes Arquitetura, Natália Batista Botelho e Matheus Melo.

O principal aspecto do projeto é a participação, desde a concepção, dos futuros moradores. Para enfrentar o enorme desafio do déficit habitacional brasileiro (80% dos 185 milhões de habitantes vivem nas cidades; trinta milhões moram em condições de extrema pobreza e precariedade; a população cresce duas vezes mais rápido que a capacidade de produção de habitações populares) é preciso garantir o direito à cidade e o acesso aos serviços urbanos públicos, criar condições de vida saudáveis e dignas e reverter as condições de exclusão e miséria.BIENAL 2005-IMG-CAMERA05-01 copyBIENAL 2005-IMG-CAMERA03 copy

O projeto alia a produção de habitação à geração de trabalho e renda e à organização popular, qualificando a participação dos usuários em todo o processo de decisão e produção. Foram estabelecidas instâncias de decisão colegiada, paralelas a oficinas de capacitação e entendimento das variáveis de projeto, orçamento e execução (possibilidades e limitações do terreno; exigências técnicas, financeiras e legais; desejos e demandas da comunidade).

São cinqüenta famílias, inscritas no Orçamento Participativo da Habitação da Prefeitura de Belo Horizonte (garantindo acesso a terra urbanizada e à assessoria profissional de arquitetos, engenheiros, advogados e técnicos sociais) e selecionadas pelo Programa de Crédito Solidário do Governo Federal (acessando financiamento viável para execução das obras).

O programa arquitetônico é semelhante em todas as unidades, mas as dimensões e o arranjo espacial atendem a modos de morar variados, permitindo flexibilidade de uso e modificações futuras. A área de serviços funciona como extensão da cozinha e também como varanda, podendo se articular à sala, além de ser usada como espaço para atividades de geração de renda. A cozinha, integrada à sala, amplia o espaço, podendo ser fechada conforme o desejo de cada morador. Os apartamentos térreos compensam sua menor privacidade com o ganho dos quintais privativos ao longo das divisas; os apartamentos superiores utilizam a cobertura como terraço privativo, substituindo o quintal; e os andares intermediários ganham quartos estendidos. A disposição dos blocos e as escadas abertas propiciam segurança e vitalidade nos espaços de convívio.

A opção pelo sistema construtivo em alvenaria estrutural considera seu alto padrão tecnológico e padronização, fatores de racionalização construtiva e redução de desperdício, além de ser um elemento de grande alcance pedagógico no aprendizado de técnicas construtivas. A solução formal traduz padrões culturais típicos das cidades brasileiras, em escala adequada à manutenção da qualidade urbana.

BIENAL 2005-IMG-CAMERA04-01 copy-2O projeto, resultado do entrosamento entre prefeitura, comunidade e técnicos, demonstra a viabilidade de se alcançar qualidade arquitetônica com baixo orçamento, aliando participação popular, tecnologia construtiva e soluções espaciais inovadoras.

1 – Inovação e capacidade de transferência

O processo de projeto e execução participativo divulga eficientes soluções técnico-construtivas de baixo custo e um sistema multiplicável de soluções articuláveis, combináveis e intercambiáveis, além de popularizar formas de expressão e representação arquitetônicas acessíveis aos leigos. O sistema construtivo adotado alia a maneira tradicional de construir da região, em tijolos cerâmicos, à inovação dos blocos e lajes em concreto pré-moldado, modulados e articulados em componentes que evitam desperdício, racionalizam a obra e não exigem equipamentos pesados. A capacidade multiplicadora do projeto reside na identificação da qualidade arquitetônica e urbana com o envolvimento dos moradores e a assessoria técnica multidisciplinar.

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2 – Padrões éticos e equidade social

O resultado imediato do projeto é a produção da habitação em sistema de autogestão, a partir da capacitação de usuários e técnicos e do uso de novos programas de financiamento público, com o fortalecimento das associações comunitárias. As dinâmicas interativas objetivam a inclusão digital e o exercício da cidadania, exigindo resposta dos setores técnicos e públicos. O empreendimento, executado em regime de mutirão, com treinamento remunerado dos moradores, atua também como capacitação profissional, gerando, no médio prazo, melhoria das condições de vida da população atendida e inserção no mercado de trabalho através dos ofícios aprendidos. O planejamento compartilhado amplia a o envolvimento coletivo com as condições de salubridade, segurança, durabilidade e legalidade da habitação.

BIENAL 2005-DINAMICA PLANTA-FOTOS LATERAL copyBIENAL 2005-DINAMICA BLOCOS-FOTOS LATERAL copy 3 – Uso eficiente de recursos naturais e conservação de energia

A implantação de pequenos conjuntos em vazios urbanos centrais aproveita infra-estrutura instalada e reduz deslocamentos da população. A racionalidade construtiva reduz o impacto ambiental e a modulação estrutural e tecnologias padronizadas aumentam a performance dos materiais e evitam desperdício. Ambientes com ventilação cruzada, varandas e terraços sombreados e quintais verdes contribuem para diminuir acúmulo de calor e melhorar o micro clima.

4 – Desempenho econômico e compatibilidade

Soluções criativas de projeto, modulação e padronização de componentes viabilizam dentro do pequeno orçamento disponível espaços de qualidade arquitetônica e urbana, e reduzem os custos de execução e manutenção. As instalações técnicas em painéis externos simplificam os procedimentos de verificação e manutenção, reduzindo conflitos condominiais.

5 – Impacto estético e adequação ao contexto

A solução formal, alcançando densidades compatíveis com o custo da terra, gera volumes elegantes integrados à paisagem urbana. Suas varandas, terraços, passarelas e escadas abertas privilegiam o espaço público, aumentam a permeabilidade e intensificam as relações sociais, com alta qualidade estética.